
Interessei-me por este livro após ter visto uma representação de um excerto da peça.
António Ferreira presenteia-nos com uma história alternativa à popular, em que o sangue de Inês não fica marcado na fonte da Quinta das Lágrimas e em que não relata o coroamento de Inês depois de morta.
Achei curioso o facto de haver poucas personagens (apenas dez), de aparecerem sempre em cena em número reduzido e de pertecerem todas à Nobreza.
A personagem principal é Inês, que, mesmo não estando presente em todas as cenas, todas as personagens falam sobre ela. Toda a peça está centrada na sorte de Inês: a sua felicidade possível, o seu julgamento, a sua condenação e a sua execução.
Ao contrário de muitas outras peças, esta é simples, sem muitas peripécias e reviravoltas, sem acontecimentos paralelos à acção.
A peça acontece no mesmo lugar geral: Coimbra e os seus arredores. Os actos I, III e IV podem ser situados no Palácio de Santa Clara. O Conselho do acto II desenrola-se na Alcáçova de Coimbra. Quanto ao acto V, a existência de um mensageiro implica distância; todavia, o encontro daquele com o Infante, como provam as referências ao Mondego e aos "Montes de Coimbra", é na própria cidade.
Gostei deste livro devido ao facto de António Ferreira ter utilizado o coro como uma espécie de narrador profético que vai avisando Inês sobre o destino que a espera. De igual modo, agradou-me a rapidez com que a acção se desenrola, uma vez que, e embora sem um tempo definido, parece que se passa toda no mesmo dia.
Achei interessante a utilização acentuada de recursos estilísticos, como metáforas e personificações.
Recomendo este livro a quem goste de texto dramático ou de poesia, visto que toda a obra é lírica.




