
Fiquei interessada neste livro quando vi um excerto da peça.
Luis de Sttau Monteiro retrata a conspiração de 1817 que conduziu à execução do General Gomes Freire de Andrade. Escrito em pleno Estado Novo, Sttau Monteiro pretendeu denunciar a censura e a repressão existentes no Portugal dos anos cinquenta e sessenta, usando para isso a conspiração de um chefe militar inglês, Beresford, do Governador D. Miguel Forjaz e do Principal Sousa, numa altura em que Portugal, após as invasões francesas, se encontrava numa situação miserável. Assim, no texto dramático que li, a participação do povo é importante, pois mostra que a sociedade portuguesa estava cansada de viver na miséria e, tal como nos anos 60 esperava que o General Humberto Delgado os salvasse, em 1817 esperavam o mesmo de Gomes Freire.
Matilde de Melo representa a hipocrisia do mundo e dos interesses que se instalam em volta do poder; por outro lado, apresenta-se como mulher dedicada de Gomes Freire, que, numa situação crítica como a retratada, tem discursos tanto marcados pelo amor, como pelo ódio.
António Sousa Falcão, amigo íntimo de Matilde, sofre com ela a execução de Gomes Freire e ouve-a nos momentos em que mais precisa.
Manuel, o mais consciente dos populares, denuncia a opressão do povo.
Vicente é revelado como sarcástico, movido pelo interesse da recompensa material, despreza a sua origem e o seu passado. Este acaba por ser um delator que apenas age assim porque está revoltado com a sua condição social, e apenas desse modo pode ascender socialmente.
Em suma, Sttau Monteiro chama a atenção para a situação política do seu tempo usando, para isso, um episódio marcante da nossa história e escolhendo personagens que são recorrentes em situações políticas como as retratadas.
mais uma vez, o jogo político dos bastidores com os não-seguidires a serem castigados.
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