10/05/2009

"Os Maias" de Eça de Queirós


Decidi ler este livro porque achei que seria um desafio. Já muitos colegas tinham comentado comigo que o livro era aborrecido e que só valia a pena perder tempo a lê-lo no 11º ano, visto que é um livro de leitura obrigatória.

Quando comecei a ler a obra, vi-me obrigada a concordar com o que me tinham dito; a primeira parte, uma exaustiva descrição do "Ramalhete", era, sem dúvida, bastante aborrecida e cansativa. Mas, após esses primeiros capítulos, começou a desenrolar-se a história em si: uma história fascinante, que retrata a vida de muitas classes sociais do século XIX.

O que mais admirei na escrita de Eça de Queirós foi a maneira como descreve as personagens, permitindo ao leitor formar uma ideia exacta do aspecto físico e das acções sociais dos descritos. Além disso, retrata o real, mas secreto, comportamento da alta sociedade, desde reuniões e pequenas conspirações nos lares dos chefes de estado até aos romances extraconjugais de carácter incestuoso.

A minha personagem favorita foi João da Ega. Na minha opinião, João da Ega era a voz da sociedade da altura, aquele que dizia o que os outros pensavam. Aliás, esta personagem levou-me a fazer alguma pesquisa sobre os poetas da época, e, com muito espanto, descobri que Ega tinha sido criado à imagem de Eça de Queirós.

A personagem principal, Carlos Eduardo da Maia, sobrevive à custa dos enredos criados pelas outras personagens e que muito contribuem para a construção da sua própria personagem.

"Os Maias" é, no fundo, um retrato social do século XIX, razão pela qual vemos desfilar as personagens-tipo envolvidas em situações que recordam ao leitor que há toda uma vivência que se esconde para lá da aparência.

1 comentário:

  1. REALMENTE É UMA OBRA BASTANTE CANSATIVA DE LER, POIS É MUITO DESCRITIVA, NO ENTANTO O DESENROLAR DA HISTORIA PRENDE-NOS DE TAL FORMA QUE QUEREMS SEMPRE CHEGAR AO FIM DO LIVRO...

    ResponderEliminar